sexta-feira, novembro 07, 2014

Dedos dados

Esta é uma postagem cópia. Cópia de uma conversa com uma pessoa muito querida. Resgatei porque esses dias, lembrei ouvindo noutra conversa, o quanto as mãos conversam, como diz o poeta. Então, nem o tempo que me toma todo o tempo, consegue me tirar do dever de recordar este episódio. Serei responsável e omitirei alguns detalhes. O que importa é que "O amor bate na aorta", como disse o mineiro mais doce que já houve. 

Resolvi fazer algo que já deveria ter feito há tempos e não tive coragem. Talvez como meta de tentar melhorar. Sei que você está namorando com outra pessoa, mas o episódio que quero comentar é mais antigo, quando você namorava a Pessoa, uma moça queridíssima, colega de trabalho. Eu sempre conversava muito com ela, era uma pessoa muito especial daquele lugar, porém ela nunca havia me dito que vocês namoravam, embora eu sempre comentasse dos meus interesses acadêmicos e militantes em prol da luta anti-homofobia. O fato é que vocês estavam na frente do prédio, ali perto do corrimão da escada, e eu estava saindo de lá, provavelmente finalizando meu dia de trabalho. Quando saí, nossos olhares se cruzaram por um brevíssimo momento, e eu percebi que vocês estavam de mãos dadas - timidamente - melhor seria dizer de "dedinhos dados". Nesse instante, presenciei uma das cenas mais tristes da minha vida, vi a Pessoa, desconcertada e assustada, apressadamente soltar seus dedos. Para outros observadores, isso não seria nada de mais, acho mesmo que só um olhar treinado, de um semelhante quando vê um igual como você mesma diz, poderia enxergar este ato de um milésimo de segundo. Contudo, bastou para eu chorar a caminho de casa. 

O que quero te dizer é que fiquei chateado não com a desconfiança da Pessoa, isto é perfeitamente compreensível, mas com a necessidade da desconfiança, com o receito de ser descoberta. Este temor é tão terrível porque tornou concreta a insegurança de uma moça que merece ser plenamente feliz e não estava fazendo nada reprovável, estava fazendo sim, algo louvável, apenas e lindamente segurando a mão, os dedos da pessoa amada. 

Queria te agradecer pela sua força, pela sua docilidade e pelo seu esforço em viver o Amor. Queria muito um dia ter mais intimidade pra falar isso para a Pessoa e dizer que serei sempre um combatente do lado de quem ama, de quem deseja apenas ser o que é. Como você era a outra pessoa deste episódio, resolvi aproveitar e te dizer isso. 

Contem comigo sempre!


terça-feira, outubro 21, 2014

May

Há dias que não é possível falar. Há dias que é impossível não falar.

Assisto há tempos histórias. Vidas me tocam. A ilusão é encontrar algo mais importante que viver.

Ouvindo canções dadivosas, quero presentear a amiga de todos os tempos.

A verdade é que queria muito contar ao mundo a história de vocês. A história de Maio, Somos 11, 13 e 14. Honro-me em fazer parte, ínfima parte, deste romance.

Tanto já aconteceu. E a década trouxe-os de novo. Então Cronos era verdade?

Apenas salvem esta maravilha. Poucos sabem ou vivem. Amor desses em que a Lua é palco, em que anos são horas, em que o sonho é sempre a Verdade deveriam ser obrigatórios. Escolas deveriam nos treinar para tais êxtases. Imaginem que alegria ir a uma aula, sentados ao redor da fogueira, ao som das homenagens para aprender a amar!!!

Que este mundo ainda tenha a chance de assistir a esta mágica lembrança.

Durmo mais feliz por saber que há no mundo a esperança. Se não acreditarem mais,  apenas recordem.

Suas presenças tornam a Vida mais habitável.




sexta-feira, maio 23, 2014

TYRion Lannister

É completamente impossível não falar deste personagem. É inconfundível a força que emana de Tyrion. Ao começar a escrever percebo que seu nome traz TYR, o jovem deus guerreiro nórdico. E outra coincidência. 
Por um daqueles acasos do destino, eu, fanático por Games of Thrones, deixei semana passada de assistir o episódio imediatamente após ter sido disponibilizada a cópia legendada. Assisti mais tarde. Após meu dia. E nem foi porque estava ocupado com os deveres da "bolsa" (aquela que poderia ter que devolver se desistisse), muito pelo contrário, estava "de boa". Coisas que nunca saberemos a resposta. Mais uma. 

Quando vi a cena estonteante não sabia o que pensar, o que sentir. Um turbilhão passava pela minha cabeça. Primeiro, a certeza de que mais pessoas deveriam assistir. Contudo, assistir não significa compreender. Em tempos de tanta punheta acadêmica com sua famosa verborragia e seu blá blá blá super hiper mega power, lembrar do tio Goffman ninguém lembra... Cadê o ESTIGMA galera? Ah, sumiu, porque agora é maravilhoso ser "queer"... Saco! E aí vem todo o vocabulário que pra nada serve, nada muda (só o lattes de alguns)...

Assim, ver Tyrion explodindo e esfregando na cara de seus algozes: "Eu não matei o rei Joffrey, mas eu gostaria de tê-lo feito. Eu gostaria de ter sido o monstro que vcs pensam que eu sou. [...] Eu não darei minha vida para o assassino de Joffrey. E eu sei que aqui não haverá justiça. Então eu vou deixar os Deuses decidirem o meu destino. Exijo um duelo para meu julgamento" é glorificante. No melhor estilo "Vamos cuspir de volta o lixo em cima de vocês". Aquele anão, cheio de marra, com um senso ético inigualável, com aquela inteligência destinada a pouquíssimos me lembrou tanta coisa... A identificação era quase imediata. Ele preferia a morte a aceitar pacatamente os abusos de outros. Como não ficar tocado? Como não compreender sua excelência? Como não reverenciá-lo?

Quanta emoção ao assistir sua valentia, tão incomum nos dias de hoje, nessa espécie precária que se auto-intitula "Homo sapiens", ao não negar, em nenhum momento, mesmo após a pérfida traição de sua "whore". Ele havia se iludido, acreditou que poderia ser amado. Mas a espécie que ele buscava Amor desconhece esse sentimento. Freya há tempos abandonou este povo, e um verdadeiro guerreiro de outros tempos não encontraria Amor nos braços dos humanxs. Para elxs, amar é coisa tola, fútil, descartável. Tyrion é um Leão. Várias "whores" diriam sem medo, sem ética que o amam... O que desejam nada mais é que o velho metal aurum... Contudo, como guerreiro ele não negou seus sentimentos, mesmo sabendo que tinha sido traído. E seu olhar ao ver a traição brutalmente me carregou para o território da dor.

Ainda assim, ele tem mais cartas na manga. Ao pedir auxílio ao seu amigo defensor de outrora, aceita sem insistência que ele não o defenda no combate. Aceita seu destino: "lutarei eu no duelo, e farão canções sobre esse dia". Novamente, foi impossível não perceber o espelho. Príncipe Oberyn, outro ser vindo de outras terras, aceitou lutar em seu nome. O nome era vingança. Sem saber, também era justiça. Ele nunca viu um mostro em Tyrion. Um pequenino apenas, monstro nunca. 

Então pensei, quando o saco da bolsa compulsória encerrar, o primeiro livro que lerei será "As Crônicas de Gelo e Fogo". Meu coração, apesar da turmalina negra, merece. 
E digo a você Tyrion, onde quer que esteja, em qual máscara monstruosa viver, saiba: se Oberyn desistisse haverá sempre um Guerreiro do Sul para lutar em seu nome!

                                     
                                                                 

                                                                                     Viva TYRion! 


quarta-feira, maio 14, 2014

Andros

Eu sou.

Eu sou muitos.
Sou tantos que muitos ainda não sabem.
Sou apenas aquele que é.
Sou treze.
Sou Touro. Guardião. E lobo.
Sou filho intenso da Imensidão.
Sou este. Não sou tão pouco, e sou para mim o que de todos não posso, contudo, nasci de mim.
Eu.
Apenas o garoto de guerra, que ama a História média, e dela sobrevive, ou até a fera que desmente sua força em flores tão surdas.
Sou o gosto perdido dos que lutam até a escuridão, e ensino a Arte das batalhas, não sem desejo, sonhos, vontades, Espírito. Não tenho medo do Medo.
Luto. Venço. Se sou a coragem, todos os lugares são meus. Eu quero, eu vou.
Andros. André.
Sou a alegria da Vida vivida em dias e noites. Não me canso. Conto pro Céu de Lua, Lucas. Vida és minha, sou teu! Mistério abençoado!
Sou quem Ama e meu Amor se faz completo. Tenho a plenitude do dentro. Juro a Honra dos Amores.
E quem me segue? Tenho a fé de levar aos dias que se seguem, o ensinamento dourado: o Amor é a Lei.
Sou pouco, que todos desconhecem. E sou muito, que poucos conhecem. Tenho o caminho de labirinto. Tenho as chaves. Entretanto, apenas é minha a Espada e meu escudo.
Quem tomou-me por Eu?
Sou, então, para sempre, o Grande GUERREIRO MENINO.



sexta-feira, maio 09, 2014

Anonimato

Estava pensando no anonimato. Lembrei de quem nunca esqueço. Aquele que no nome é simplesmente Pessoa. E ora, eu que deveria estar no sono ou cumprindo meus deveres, resolvi ler. Sempre acalma.

Porque é preciso ser visível? Quem é? Somos tantos, como ele mostrou. O que importa um nome?

Deve ser meu inferno astral. Preciso de férias. Preciso desassossegar. Ele nos ensinou a ser heterônimos. 

Aqui está:

262: 

Cheguei hoje, de repente, a uma sensação absurda e justa. Reparei, num relâmpago íntimo, que não sou ninguém. Ninguém, absolutamente ninguém.
     Quando brilhou o relâmpago, aquilo onde supus uma cidade era um plaino deserto; e a luz sinistra que me mostrou a mim não revelou céu acima dele. Roubaram-me o poder ser antes que o mundo fosse. Se tive que reencarnar, reencarnei sem mim, sem ter eu reencarnado.
     Sou os arredores de uma vila que não há, o comentário prolixo a um livro que se não escreveu. Não sou ninguém, ninguém. Não sei sentir, não sei pensar, não sei querer. Sou uma figura de romance por escrever, passando aérea, e desfeita sem ter sido, entre os sonhos de quem me não soube completar (1).
     Penso sempre, sinto sempre; mas o meu pensamento não contém raciocínios, a minha emoção não contém emoções. Estou caindo, depois do alçapão lá em cima, por todo o espaço infinito, numa queda sem direcção, infinitupla e vazia. Minha alma é um maelstrom negro, vasta vertigem à roda de vácuo, movimento de um oceano infinito em torno de um buraco em nada, e nas águas que são mais giro que águas bóiam todas as imagens do que vi e ouvi no mundo - vão casas, caras, livros, caixotes, rastros de música e sílabas de vozes, num rodopio sinistro e sem fundo.
     E eu, verdadeiramente eu, sou o centro que não há nisto senão por uma geometria do abismo; sou o nada em torno do qual este movimento gira, só para que gire, sem que esse centro exista senão porque todo o círculo o tem. Eu, verdadeiramente eu, sou o poço sem muros, mas com a viscosidade dos muros, o centro de tudo com o nada à roda.
     E é, em mim, como se o inferno ele-mesmo risse, sem ao menos a humanidade de diabos a rirem, a loucura grasnada do universo morto, o cadáver rodante do espaço físico, o fim de todos os mundos flutuando negro ao vento, disforme, anacrónico, sem Deus que o houvesse criado, sem ele mesmo que está rodando nas trevas das trevas, impossível, único, tudo.
     Poder saber pensar! Poder saber sentir!
     Minha mãe morreu muito cedo, e eu não a cheguei a conhecer...

domingo, abril 13, 2014

A beleza do normal

Há dias que precisam ser contados. Dias comuns, dias sem novidade alguma. Dias normais. E quem diria, eu - anormalmente - iria falar de normalidade. Quem acredita? Quem me conhece, oras! 

Naquele calor entediante, sol me liquefazendo, eu "escorro" pro mercado. Quase como atividade masoquista, escolho fazer compras no auge do meio-dia. Explico: teve jogo de volei na TV. Outra descoberta: prefiro esportes à reuniões acadêmicas-filosóficas-revolucionárias-salvadoras da mundo... Ah, quanto orgulho de mim!

O preço assusta. Os produtos não atraem. A cesta vai crescendo. Esbarro numa promoção. Taurino por natureza, desconfio. Mas eram só pequeninas bebidas lácteas de café gelado. Uma gostosura! Quem levasse dois, ganha um. Explico "again": comprando dois produtos, concorria ao sorteio de uma mochila. Bonita, não fosse as cores da copa. Felizmente o azul prevalece. Mochila de trilha. Deu aquela saudade apertada do Anhagava e do Itupava. Pensei: Ora, no meu atual estado de amante esportista (as corridas nem incomodam tanto o coração, não se pode dizer o mesmo dos joelhos, mas isso é uma outra história) aquele saco de viagem me cairia muito bem. 

Imediatamente pus as duas bebidas na cesta. Mais uma olhadela nos produtos em promoção e a decisão segura de que é melhor evitar gastos desnecessários. Poupar é um verbo que exerce atração sobre mim.Fui à caixa e a alegria primeira: não tinha fila! Um bom-dia sulista foi meu cumprimento. Crédito ou débito? Aquele cartão azul só permite débito, e o que isso tem demais? Tem eu! Eu. Só eu. Paguei, peguei meus mais novos pertences, ou na linguagem marxista, minhas mercadorias e perguntei onde pegava meu cupom. Na recepção. Fui até lá. 

O suor jorrando de mim tal qual fosse eu um geiser humano não me impediram de completar a árdua tarefa: buscar meu cupom. Avistei a moça da recepção e perguntei da promoção. Trabalhadora de fim de semana me respondeu sem muita amistosidade: qual concurso? Informei a marca. Ela pede a nota fiscal (depois de uma leve má-vontade encontra meus produtos adquiridos) e me dá o cupom. Antes, contudo, vem a inquisição: a identidade moço! E num simples passe de mágica, da minha cartola-carteira não tirei o coelhinho (defendo animais e condeno estas práticas). A magia era: a mochila era bônus. A vitória já é minha. 

Preenchi o cupom. Coloquei-o, um tanto encharcado, na urna. Juntei minhas compras e fui me liquefazer mais um pouquinho. Como outro dia qualquer, um dia feliz. 
Um dia normal.







quinta-feira, fevereiro 20, 2014

GUERREIRO DO SUL

Acordei! Viva! Vitória!

E há quem diga rer a sorte como companheira, perdas não me seguem! Sou filho bravo! Lugh!

Não quero sorte, sou coragem e FORÇA!

Sou forte eternamente!

E agora quem dirá que não sou legal?

Sou GUERREIRO.

Calem-se! Eu vivo!

Na terra do vampiro e das polaquinhas, eu sou vitória!

Não aceitaria menor, não deixaria o Alemão para trás. Minha terra é essa! Somos quietos, não nos dobram!

A cada volta no Barigui, o ar envolve meus pulmões que expulsam a palavra aguardada: Viva!

Nasci com espada em punhos, é meu direito a guerra. Guerreiro sou para sempre.

De joelhos agora aqueles que me desejam desistente, infeliz perdedor!

Com a alma animal eu acordei maior. Muito! Logo novo emblema marcará a carne.

A história continua. Vida. Vencida.

Tinha que ser aqui. Minha cidade, meu lar, minha história, meu ORGULHO!

Não apenas meu país é o sul, Curitiba é meu planeta! Meu lar.

Descanso para novas conquistas no lar paranaense.

GUERREIRO.




terça-feira, fevereiro 04, 2014

Quando as coisas tem que acontecer... Obrigado amigo.

Impossível não pensar que esta musica foi feita para meu amigo Menino Guerreiro

Viva Como Guerreiro
Sinta como o mundo não te ama
Eles só querem te empurrar pra longe
Alguns dias eles não te enxergam
Você sente como estivesse no caminho
Hoje você sente como se todo o odeia
Apontando os dedos, procurando seus enganos
Você faz o bom, eles querem melhor
Não importa o que você dá, eles querem mais
Dê seu amor e eles o jogam de volta
Você doa seu coração, eles continuam a atacar
Quando nada mais restar pra você,
A única coisa que você pode fazer é dizer

Hoje, só hoje, viva como você quer
Deixe o ontem queimar e o jogue no fogo, no fogo, no fogo
Lute como um guerreiro,

Hoje, só hoje, viva como você quer
Deixe o ontem queimar e o jogue no fogo, no fogo, no fogo
Lute como um guerreiro.

Algumas coisas você deve deixar passar, só vão te colocar pra baixo
Assim como peso em seu ombro, eles apenas vão te afogar

Todos nós oscilamos pra cima e oscilamos pra baixo
Todos nós temos segredos que as pessoas não sabem
Todos nós temos sonhos, não podemos desistir
Queremos ser corajosos, não tenha medo.

Ohhhhh

Hoje, só hoje, viva como você quer
Deixe o ontem queimar e o jogue no fogo, no fogo, no fogo
Lute como um guerreiro.

Hoje, só hoje, viva como você quer
Deixe o ontem queimar e o jogue no fogo, no fogo, no fogo
Viva como um guerreiro.

Seu coração está pesado pelas coisas que você carrega a tanto tempo
Você oscila bem e mal, cansado sem saber porque
Mas você nunca vai voltar atrás, você somente vive uma vez
Deixe passar, deixe, deixe passar, deixe, deixe, deixe passar.

Hoje, só hoje, viva como você quer
Deixe o ontem queimar e o jogue no fogo, no fogo, no fogo
Lute como um guerreiro.

Hoje, só hoje, viva como você quer
Deixe o ontem queimar e o jogue no fogo, no fogo, no fogo
Viva como um guerreiro.

Hoje, só hoje, viva como você quer
Deixe o ontem queimar e o jogue no fogo, no fogo, no fogo
Lute como um guerreiro.

Hoje, só hoje, viva como você quer
Deixe o ontem queimar e o jogue no fogo, no fogo, no fogo
Viva como um guerreiro.



 31 de dezembro de 2013 às 21:05

terça-feira, janeiro 21, 2014

Sem cinema

Há dez anos... 10 anos era tudo tão pesado. Em poucos dias tudo ia mudar. Iria comprar ervas e começar a sonhar.
Agora tenho saudades. Logo minha cidade ficará pra trás. Dor em explosão.
Hoje falei com uma menina e voltei a fugir do sol. Ela soube que eu sumi. E como não seria?
Um filme, um sonho, um suspiro.
Corro. Dor. Medo.
Ao ver confissões, encontro despedidas. Amiga de anos, com seus filhos. Última vez. Ficará sempre o carinho.
Enquanto isso, nada me sobrou. Em outros mundos as festas viajam.
Falta o menino luz. Então irei. Quase dois meses.
Buddy estará na espera?
Solidão me assusta, amigo.
Vou indo.
Quem sabe Anhagava?
E quando será?





quarta-feira, janeiro 15, 2014

Para mim

Para o fim.

Porto

Aguardo o porto. Estou cansado. Muito.
Quando ouvi o convite, sabia que era verdade. Seria. Será. Quem conhece o passado já tem a próxima história.
Uma mão. Não dupla.
Agora terei que esperar dias e noites até lá. Já sem aquela criança.
Eu não sou daqui. Minha mão dizia. Estou onde?
E houve quem disse ser o importante o que nunca foi. Ninguém ouviu.
Não, não é carreira. É encontro. A família planetária.
Minha entrevista contou-me das instituições que falharam. Sozinho estava.
Não importa. Estou chegando.
Este não é meu lugar.
Há outras praias. Há outros vínculos.
E aquela pressa? Risos falsos.
Vou dormir logo.
Tenha a promessa de um porto.
Até lá, não estou aqui. Nem ali.
Vejo lá.



terça-feira, novembro 19, 2013

Um instante de felicidade

Este é um conto,  terreno que nem sempre me aventurei. Desde os tempos idos dos "Bananas X Babacas", tenho seguido fiel à poesia. No entanto, uma história pulsante merecia ser contada. Então vamos contar histórias...

Em um local distante vivia um vampiro. E não falo de vampiros holliwoodianos, era um simples vampiro. Não tinha super poderes, aliás, lhe faltava poder. Era tão comum, que quase passava como humano. Mas não era um. Era estranho demais para isso. Quieto, sem voz, ouvia a tudo e a todos, e em seu mundo, descobria as verdades humanas. Tinha fome de humanos, humanos sanguíneos. Sem forças, alimentava-se de outros pequenos mamíferos. O sangue não era o mesmo, mas eram companheiros inseparáveis. Até um gato preto era seu amigo. E os dois vagavam pelas noites acordados, em uma língua estrangeira aos humanos. 

Este vampiro temia o sol, sua pele sofria com os raios a lhe ferir. Ainda assim, era vampiro persistente. E na ânsia de buscar seu alimento, enfrentava todas as dificuldades. Saía ao sol. Não dormia. Em seu tempo inerte, ouvia músicas humanas e apreciava ainda mais a espécie que lhe matava. E sem dormir, sonhava. Como sonhava! Sonhava com uma dança espiral, com o olhar doce de um humano ao seus olhos tristes, sonhava com a humanidade que lhe era negada, com as mais tolas vivências humanas que de tão comuns nunca foram lhes fizeram falta, mas ao vampiro eram dádivas. Algumas vezes, lia romances e sonhava ser o príncipe encantado... Imagine? Um príncipe vampiro? Até os sapos riam dele. Imaginava sua vida em uma tela, olhando-a, de mãos dadas, a derramar a pipoca num beijo desajeitado, já que era tão inocente e perdido com as coisas humanas. 

Era um vampiro terno. Embora poucos soubessem. Ele era sozinho. Levantava todos os dias, ouvia a voz do tempo e saía a caminhar sem desejos de volta. Era desastrado. Era invisível. Era amável. Era triste. Era menos. Era pouco. Era um vampiro. E só. Sem mais. Não tinha nomes. Nem sobrenomes. Era vampiro. Diziam os humanos: "E lá vampiros precisam de nomes? E sobrenomes? Quanta ousadia?" E o vampiro olhava, respondia com um coração melancólico, com a força de um matador que não morria. 

Seus desejos eram poucos. Como vampiro não chegava a morte. Ela se distanciava dele. Nada era capaz de extinguir-lhe a miserável condição que se encontrava. Foram doenças, médicos enojados a tratar de um vampiro, sua vida era dispensável. Porque ainda insistia em aparecer? Por que o sol não lhe queimava o coração? Porque ele ainda tinha forças? 

Seu outro desejo era mais ousado. Tanto tinha sido tripudiado e ainda era determinado na mais comum das vontades humanas. Deseja encontrar uma alma que o acompanhasse. A bem da verdade, era ele sempre que acompanhava. E tímido, obscuro ficava a espreita do Amor. Este nunca lhe deu bola. Ele amou tanto. Mas não era possível aos humanos amá-lo. Ele era chato. Era feito de aço, mas de um aço que derretia nas palavras. E pra que serve um vampiro invisível que é cristal frágil?

Um dia, viajou para uma terra de doçuras. E como João e Maria arriscou-se a pegar um doce. Tocou na beleza da casa humana. Em segredo, olhava fascinado a ternura da garota que conversava com ele. Embora soubesse que ele era um vampiro, a doce menina até esboçou elogios ao vampiro. Mas vampiros não são elogiáveis. Ele, pouco versado na arte da sedução - este não era um vampiro adolescente e sedutor -  era um vampiro antigo, nada atrativo. Um simples vampiro cansado de uma vida sem morte. 

Seu deslumbramento veio logo após a frase da menina ao dizer que as pessoas (humanas) deveriam apaixonar-se não por isso ou aquilo, mas pela pessoa. Ele, mesmo sabendo que este não era seu estado, foi rapidamente furtado. Não era mais proprietário da força de seu afastamento. E foram poucos os instantes. Mas o vampiro poeta, sonhou e acordou. Não era possível pra ele aquele sorriso. Sua companhia era doce. E doçura alimentava mais que sangue. Este era um vampiro tolo. Os olhos da moça agradavam sua alma. A voz era como a mais bela canção para apaixonados. Mas o vampiro não era apaixonado. O vampiro não podia. Quem apaixonaria-se por um vampiro? Apesar de ser tão parecido como um humano comum, não era. Apesar de assemelhar-se a um vitorioso e destemido predador, era só uma minúscula presa acuada. Apesar de ser quase um homem como qualquer outro, era só um vampiro. Escondido. Acusado de não se expor, pensava: minha dor já não é exposição? 

E os poucos dias passaram. A beleza estava atordoando o vampiro. O vampiro era pequeno demais para tamanha perfeição. Apenas encorajou-se a estardalhar sua fascinação. E foi embora. Não pediu beijos. Era vampiro consciente. Era vampiro solitário. Beijos são humanos. Paixões são para humanos. O vampiro apenas sabia amar. E amou, naqueles lúdicos momentos, o destino por lhe mostrar a imensidão humana, que de tão comum aos próprios, só era vista como esplendor por aquele vampiro. A menina era símbolo. Símbolo de seu amor pela humanidade, de seu desejo das experiências comuns, símbolo de uma vida plena. Aquela que ele não conhecia e nunca iria conhecer. Conhecia a existência repugnante, indesejante. A menina era seu instante de felicidade. 

E ele viajou. E uma lágrima sobrou. O vampiro pediu a força cuidadora dos humanos para proteger aquela menina dourada. Em seu tempo infinito, implorou que aquele rosto não se perdesse em suas memórias dolorosas. Era tudo o que ele podia fazer. Ser vampiro era sua vida, justamente ele que buscava a morte. E a morte um dia iria levá-lo. Era sua esperança. Mas a nobre recordação da menina seria sua imortalidade. Assim, sem deixar de ser vampiro, ele conheceu o sonho mais humano de todos, o da imortalidade. E uma alma-semente foi plantada naquele vampiro.

Sorte a dele que pode dormir. 





sábado, novembro 09, 2013

"Cada um de nós imerso em sua própria arrogância esperando por um pouco de afeição"

Depois de um olhar antropológico num dia de balada, percebi que o sono não voltaria. Era outra coisa que eu precisava fazer. Para além dos milhares de compromissos que posso protelar, falar a verdade não posso. Antes que a polícia venha me dizer que eu posso se quiser, só direi que não posso porque NÃO QUERO.
Há dias que as coisas não me deixam descansar. E só agora percebi que era a voz de dentro expurgando minhas verdades. E foram. Há dias também vejo a polícia dizer qual a receita da felicidade integral para toda a população da galáxia (não basta mais a população terrena), com a velha e boa tática de dizer que a “outra” felicidade é uma ilusão, é produzida por isso e aquilo “ismo”. E todo aquele blá-blá-blá de sempre. Vejo que virou moda (na verdade há muito já é assim) usar de algo que supostamente deveria ser libertário, que supostamente deveria abolir dicotomias maniqueístas, para novamente produzir um modelo totalizante. Para além do que penso sobre essas imaturidades, vou voltar ao ponto do texto. Este, definitivamente, não é um texto contra ninguém. É um texto de reverência, de gratidão, de amizade, de AMOR.
Também há muitos anos conheci um jovem amigo que mal sabe o quanto me ensinou da Vida. E este é o momento de dizer, ou de publicar, esta pequena história. Por “acaso” nos conhecemos em um solo sagrado (para nós). E lá vivi minha primeira experiência de totalidade. Sempre quis entender o porquê daquele contato em noites de lua cheia, com vinhos, ervas, maçãs, estrelas e amigxs exercia tanto poder sobre mim. Hoje sei. Nada tem a ver com milagres. A linguagem mística é apenas uma forma de algumas pessoas (eu, por exemplo) darem sentido a algumas de suas experiências.
No entanto, diriam os não céticos que este encontro “operou milagres”. E não é verdade. Milagre seria algo da ordem do impossível. E o que este rapaz me ensinou, ou me mostrou, é muito possível. Ele nunca precisou alterar um tom de sua voz para me “acalmar” (sou reconhecido por ser um touro bruto ameaçador), muito ao contrário, sua voz sempre foi melodiosa e amistosa. Nem precisou me acalmar. Meus desesperos sumiam na presença generosa daquelas pessoas. Foi lá que aprendi a amar o conhecimento das Ciências Sociais (que em nada eram ocultas). Foi lá, neste encontro, que conheci a genuinidade de um “eu te amo”, e amor era verbo transitivo direto. Tinha direção. Sim, este era o mistério: eu era a direção, não se tratava do tão aclamado amor livre. Porque a liberdade era amar. E na mais doce contradição opiácea (como diria Marx), esta liberdade é a única lei. Quem entende? Nós.
A magia era criar vínculos. Era ser importante. Era valer a pena. Era estar junto, pro que der e vier. Era carinho sem cobrança, era doação sem sacrifício. Era ser UNO, sendo tantxs. Naquele momento, ouvir era sempre mais importante que falar. E ninguém ficava sem voz. Não era regra. Era vínculo. Nunca ouvimos que deveríamos ser companheirxs, éramos. A força da nossa união não vinha de dogmas nem de teorias moderninhas, vinha da importância que dávamos aos nossos elos. A máxima “um por todos e todos por um” nunca foi exigida, simplesmente era seguida. Não havia “faça isso ou não brinca mais”, ninguém era “o dono da bola”, autoridade e arrogância nunca são necessárias quando você reconhece em si, logo na diferença com o outro, que celebrar é melhor que obrigar.
Eu não fui exigido em nada. Em troca, só recebi: afetos, amizades, abraços, compartilhamentos, e Amor. E é claro que eu tenho saudades daquele tempo, e me orgulho de ter. Saudades só temos do que importou. E eu importei. Nós importamos.
Todas as vezes que pedi socorro, e foram tantas, era um abraço que eu ganhava. E quando eu lembro, eu fico com uma raiva danada de mim, porque demorei tanto pra perceber que eu nada tinha de amaldiçoado. Se não tinha a mãe e o pai “de verdade”, eu tive desde aquele encontro o “Pãe”, e toda a família de irmãs e irmãos conquistadxs. E essa história não acabou.
Era simplesmente isso que eu queria dizer, talvez poucxs concordem (o que não me causa a menor preocupação), mas não saiam por aí autorizando ou desautorizando Amor. Quem não desejá-lo, a fórmula é bem simples, afasta-se Dele. Amor não corre atrás de ninguém. Ele é benção, e como tal, só nos é ofertado se for de nosso desejo. Nada exige, apenas aceitar e vivê-lo. E isso eu aprendi contigo, meu Pãe!
E hoje tive vontade de lembrar ao mundo que você me ensinou esse “truque de mágica”. Pra ser fiel a mim, a única fidelidade possível em que EU acredito, prefiro te deixar os versos mais lindos do outro amigo, que sempre me (en) cantou:
“E o que disserem
Meu pai sempre esteve esperando por mim
E o que disserem
Minha mãe sempre esteve esperando por mim
E o que disserem
Meus VERDADEIROS amigos sempre esperaram por mim
E o que disserem
Agora meu filho espera por mim
Estamos vivendo e o que disserem

Os NOSSOS dias serão para sempre.

*OBS: os versos que eu cito são do meu eterno inspirador Renato Russo

terça-feira, outubro 22, 2013

Carta a uma árvore



Hoje me lembrei daquela árvore. E fiz essa carta. Nunca tinha pensado. Queria saber quando conheci essa energia. Esse medo.
Não a perda. Essa já era parte. Desde pequeno as ausências são presentes. Criança boba, sem enxergar direito olhava pro caminho solitário. A espera era sempre sozinha. Aos cinco anos, aprendi devagar que minha mãe ia me esquecer. Promessa não era dívida. E chorei até adormecer. Sonhava com o avião que esmaga a dor. Aprendi que guerreiros tem calcanhar. Aquiles. O meu, Eros.
Meses nunca apagavam a saudade dos irmãos. Sem sangue, minha irmandade é espírito. Hoje latidos e lambidas me reconhecem. Miados são filhos. Aprendi a ser papai sem conhecer um. Meus filhos me ensinaram que bastava pouco. Amor e cuidado. Paciência e respeito.
E aquela árvore na frente de casa. Nunca soube qual a espécie. E precisa? Pra quem? A minha não existe. Eu amava aquela árvore. Linda. Sinto seu cheiro ainda hoje. Pequeno abraçava o pouco que podia de sua majestade. O grande momento do dia era chegar correndo em casa, mochila pesada espancando minhas costas, e frear na frente daquela maravilha. Olhava pra ela como se me conhecesse. Contei segredos e aposto ter ouvido os dela. Suas folhas escorriam pra me presentear. Seus presentes eram derramar suas folhas, meus primeiros marcadores de páginas.
Um dia olhando pra ela, suspirando pela sua beleza, ouvi: “és o que és, um menino que sabe amar, mas serás guerreiro”. Bobo e idiota, apenas sorria porque minha árvore era minha, e agora me falava. Será que me escutava? Decidi ler meus poemas, contar minhas aventuras. Um ritual diário acontecia. Chegar da escola e avisá-la o que tinha aprendido. Sua paciência era enorme, ouvia até meu encanto com trigonometria. Sabia que um menino sozinho encontra amigos em letras e números.
Contudo, eu sentia sua dor. Pulsava. E eu bobo como sempre, preferia achar que ela estava de charme. O que nos tiraria a felicidade? Porque eu sempre apostei errado?
Um dia ouvi adultos dizerem que haveria uma poda de árvores. Não poderia ser ela. O que ela fazia demais? Ela não incomodava ninguém, quem estivesse ainda assim incomodado que fosse para longe. Minha amiga era grande demais. Forte demais.
Mas eu não fui. Uma legião de estrangeiros abriu fogo contra minha amiga. Corri sem parar para segurá-la. Gritava, chutava cada um que se aproximava. Ela era minha, isso deveria ser motivo suficiente para ninguém machucá-la! Em vão, corri para protegê-la. Conheci o escárnio masculino. Era só um trabalho como qualquer outro. Não! Era minha amiga que morria. Ela ainda me olhou, e tombou encerrando pra sempre nossa história. Meu ódio era tanto que não via direção. As pedras voavam para meus agressores. Riam de mim e profanavam minha amiga. Chorei em seus galhos. Grudei neles. Sem forças para aquele combate, arrancaram meu corpo de seus restos. Minha alma já viajava ao seu lado.
Cheguei em casa com um único galhinho, pequeno que me serviu de espada para atingir os meus adversários. Olhos fechados em desespero, ouvi minha mãe tentar me explicar que eu não mudaria isso. Gritava: Por quê? Sem resposta, dizia: o que há com você criança? Pensava: ora, não é óbvio? Mataram meu amor! Como mãe de um guerreiro sabia que eu sobreviveria. Cuidou de meu sono. Acordei com sua frase: está melhor? Pode ir à escola?
Fui. Devia isso a minha amiga. Aprendia tudo por ela. Jurava não esquecê-la. E seu último galho foi doado ao último lar de minha mãe, porque sei que elas seriam amigas. Entreguei o que tinha de seu para que cuidasse da travessia de minha mãe, ela saberia o que fazer.
Nunca mais nos falamos. Cresci e ela estava certa. Seria guerreiro. Hoje lembrei dela. Acordei com seu cheiro. Olhei pra ela e disse: sim, estou ainda aqui e tenho tanto a te contar. Ainda somos amigos. E não cresci. Foram e são tantas batalhas. Porém, ainda sou menino. Bobo. Não gosto de trigonometria, embora ainda lembre nossas fórmulas. Hoje tenho outros estudos.
E quando te perguntei se ainda lembrava de mim depois de tanto tempo, um sopro trouxe uma folhinha verde. Ainda somos amigos. Ainda me ouve. Não estou sozinho. Ainda te amo.




sábado, janeiro 12, 2013

Para assistir Cloud Atlas




Faz tempo que desejava escrever. Não saía. Faltava coragem. Tinha feito o menino crescer.
Não há pausa pra ser menino nesta vida de guerreiro. E a vida ia passando...
Tomei coragem (e um pouco de vinho) e comecei.
É tanto pensar, tanto sentir, tanto pesar. Acabei me acostumando ao ritmo descuidado e fui esquecendo de ouvir, de parar. Há outra história...
Precisava de um tempo doce, tranqüilo, sonhar. E teimando como bom taurino, deixei de lado a realidade e fui descansar no cinema. Eu queria ouvir, ver, sorrir, chorar. Precisava de emoções.
Faz tempo que filmes não me saem da cabeça. Timidez curitibana mesclada com histórias de ausências produziram alguém que gosta de ouvir, ver e ler histórias. Sempre questionei o real, aprendi logo que pra existir eu precisava ser inventor. A vida não completava. Eu sobrava. Era o 12º jogador que ninguém queria nem como gandula, nunca cabia nos trabalhos em grupo, na família sempre um bom órfão. Com o tempo, a gente cresce e finge. Somos todos iguais. E eu estou aqui, de novo sem palavras pra contar o que senti. Talvez seja que ainda não inventaram um idioma pra traduzir um momento de reconhecimento de semelhantes.
Richard Bach me contou que “os semelhantes se atraem, é uma lei cósmica”. Sem dúvida, estava certo. Eu fui atraído. Logo que a música inicia, um taurino pressente que valerá a pena. Músicas fazem parte de nosso kit básico de sobrevivência. A história começa, ou melhor, são muitas histórias. Cada qual num período, futuro, passado, presente deixam a velha convenção linear conhecer as vantagens de ser círculo. E eu que adoro rodar, pressinto que haverá água. Há tempos, deixei de preocupar-me com as insistentes ondinhas que escorrem dos olhos. Se não fosse pra escorrer, no lugar de glândulas lacrimais haveria uma barragem. Não sou represa, enfim. E era tudo tão cheio de sentido! Tantxs personagens, tantas vidas, tantas dores e tantos sentimentos, que eu bem que caberia ali também. Ouvia as falas e no meio de um diálogo qualquer, era presenteado: uma frase atemporal. Algumas que fazem sentido apenas porque eu já descobri antes, outras porque de tão especiais eram simples e faziam explodir a lembrança semelhante.

Ser é ser percebido”. “Todas as fronteiras são convenções”. “Limites existem para serem transgredidos”.
Outra peripécia era que a cada cena que me comovia, a timidez e a vergonha eram derrotadas. Eu sorria, ria alto da fuga de quatro velhinhxs companheirxs que aprenderam que riscos valem a pena pelo que se acredita, chorava pelo encontro amoroso de dois rapazes e seu amor-vitória, indignava-me com o terror de um capitalismo ainda mais destrutivo (sim, tudo pode piorar, basta continuar do jeito que está), acreditava na moça “fabricada” que aprendeu a ser revolucionária quando descobriu que não era “só mais uma”, preenchia-me quando amigos aprendiam que amizade não existe sem solidariedade e que cor da pele é só pintura  e me encontrava quando valia a pena continuar com a verdade, mesmo que ninguém ouvisse, porque alguém já acreditava, afinal se “somos apenas uma gota no oceano quando desafiamos a ‘ordem natural das coisas’ mas... o que é o oceano mesmo senão uma infinidade de gotas d’águas?
São atores e atrizes de primeira qualidade em tantos papéis! O melhor é perceber (ao longo do filme só pra quem já está acostumadx a transgressão) que são mais personagens que o elenco. A conta só fecha porque atores e atrizes fazem várixs personagens, e reside aí mais uma mágica dádiva. Ninguém é só homem ou só mulher, ninguém é só negro ou só branco, ocidental ou oriental, hetero ou homo. Num simples ato de fazer atuações diversas, Lana e Andy mostram que é possível (portanto real) não ser só isso ou aquilo. Sejam e seremos o que desejarmos. Eu saí completo. Eu existia de verdade. Pelo menos naquelas três pequenas horinhas, naquela sala escura, na poltrona rigorosamente escolhida pra ser solitária, eu estufei o peito e senti: Eu posso ser!
E o final. É a esperança. Talvez seja só uma possibilidade, mas vale a pena. Era isso que eu buscava quando comprei o ingresso.
Ao sair eu estava naquele estado de inquietação, a tristeza era a mais feliz de todas e a felicidade era melancólica porque eu era inteiro de novo. De volta pra casa, voltando a crescer, lembrei que o menino só precisava acreditar que o guerreiro não estava sozinho. Pedalando e pensando, ouvindo a trilha sonora que tinha acabado de conhecer, fechei os olhos e desejei apenas um abraço mais que apertado em Lana e Andy. Como aprendemos juntxs, estamos todxs conectadxs. Por fim, Descobri que a palavra que eu procurava pra dizer o que pensava de seu filme era apenas “obrigado”.


quinta-feira, dezembro 15, 2011

“E isso não tem importância?”

Queria apenas que o mundo me deixasse dormir. Nem estou falando de acordar.
Estou sem coragem. Cansado. Como o principezinho, o pôr-do-sol era pra ser minha companhia...
Hoje não há muito que dizer. Pra quê? Não há ouvintes. Ah! Acho que estou me repetindo. Hora de calar.
Porque perguntas aqui me importunando? A resposta: não há nada melhor do que um final de semestre para acordar minha vontade de escrever. E não digo todos os intermináveis trabalhos.  Sou bem menos que todos os estudantes. Falo de outra identidade... Outro local. Sou daquela margem distante, de quem não pertence. Então sou?
Não há sono para um guerreiro. Meu escudo é a força. Ainda assim, é tudo que me sobra. Estou rasgado. Tenho a culpa de uma existência. Consigo (de vez em quando) aos olhos incautos “passar por” SER humano.  A tropa defensora daqueles e daquelas reais me desvela. Não há segredo em minha carne. Meu silêncio ofende a hierarquia dos costumes. Minha sombra incomoda. Minha verdade (em face) azucrina. Meu caminho desestabiliza. As normas me escapam. E minha punição é ser desvendado pelo instinto protetor da verdade! Por que não falar de minhas experiências? Afinal, sou números em tratados médicos e psicológicos, sou objeto da “ciência”, então,  como ouso não ceder-me por completo aos desejos do Saber? Era só vizibilizar-me e tudo estaria mais fácil! Cada um em seu lugar e todos contentes. Meu erro é a mania de querer direitos!!!
Então estou aí. Sou isso mesmo. Sou aquilo que não se nomeia e não se sabe o porquê? São muitas as teorias que me definem, há para todos os gostos - biologicistas até as mais filosóficas - passando é claro pela explicação teológica: sou PECADO. Se fruto, obra ou o próprio pecador, ainda não resolveram.
Sou isso mesmo. Sou aberração das mais impossíveis. Pra dizer a verdade, não sou de verdade. Sou reinvenção. Sou anormal. Sou crime e pecado porque teimo em existir (mesmo contra vontade própria). Sou a eterna TRANSmutação. E ainda assim, meu TRANSitar é tão ofensivo! Porque meus sonhos são desonra? Porque TRANSgredir  é tão perigoso às pessoas de bem?
Não era por vergonha. Era cuidado e cansaço. Minha voz é silêncio porque oras, tenho medo! E como meu amigo Renato dizia: “Eu preciso e quero ter carinho, liberdade e respeito,
chega de opressão, quero viver a minha vida em paz, quero um milhão de amigos”... Era só por isso!
Afinal, como já disse antes inspirado neste menino bonzinho, “na minha escola, eu só queria ser GENTE de verdade”.

quarta-feira, fevereiro 23, 2011

Um Sono

Era apenas um sonho que não podia ser vida. Tão perfeito que não podia ser atingido. Tão lindo que só podia ser sonho. Tão inacreditável que eu podia sonhar. Tão sonho que estava no passado.
Era aquele passado que faz tempo. E que insiste em morar aqui. E hoje conhecendo mais uma do meu amigo, pude ouvir uma voz. A mesma que sempre me acostumei. Descobri um amigo quando o tempo já tinha passado. Foi a mesma intensa beleza de ser tão puro, tão sincero  consigo, que me fez pensar em te escrever, amigo destes instantes e outros. Quando o sono é privilégio, escuto tua voz e aprendo a me conhecer nas tuas histórias. Amigo, saibas que és tão querido. Nunca nos vimos. A presença é dispensável com tua perfeita verdade. Tuas canções são rios de uma correnteza que conheço sem olhos. Conheci-te Renato em um tempo triste. Já tive outros e meu caminho sempre teve tua trillha. Hoje, depois de uma dica, relembrei algumas de tuas belas cidades. Tu amigo, estás acordado comigo. Me encanta em cada palavra. Tua voz, acomoda meus medos e me prepara calmamente. Sinto sua falta. Queria te ver cantar. Ninguém nos apresentou e somos tão parecidos. A cada palavra descubro mais amizade. São sempre presentes que me oferta? Como posso agradecer tuas dádivas?
Nesta tarde me disseram que não tenho mais lugar. Nunca fui muito desejado. Queria muito ouvir teus passos. Conhecer teus conselhos. Estou só. A garganta é ´so mais uma dor. Meu amigo, o que estas palavras não escolhidas iriam me dizer? O que posso dizer ao meus olhos que não fecham? Eu durmo nos dias que se passam sem vida.
Sou como ti, há poucas chances. Prefiro a solidão. Ela não me corta. Não sei mais livrar-me das mágoas. Tenho a companhia que não fala, sou ouvido agora por mim. Há uma dor chatinha, sabe? Não me acostumo com pouco. Lembra do "sinto falta de mim mesmo"? Amigo, é isso. Me descreves tão bem. Cheguei sozinho neste caminho e agora não tenho mais passos. São tantos e a estrada não acaba. Há sempre uma nova maneira de dizer que não existo. Porque insistir amigo? Só queria tua voz, a pracinha de antigamente, um incenso pro ar, algumas maças e cereais, um olhar distraído e minha vida feita de sonhos. Aquela esperança já está longe. Meus caminhos ainda são os mesmos, mas eu fechei as portas. Estou sem chaves; Estou pra fora. Estrangeiro. Sem lugar. Sem respirar. Sem promessas. Há apenas aquela dorzinha chata e a certeza de que de novo sou o menininho sem guerra. Eu perdi, amigo. Fica comigo esta noite? Quero ouvir tua voz em silêncio para me acostumar de novo com o olhar sem sol.  Esta paz me roubou a força. Perdi a espada. Preciso daquela sorte de ouvir-te, demorar a pensar, esperar ao teu lado e respirar de novo por uma nova manhã. Será que há mais batalhas? Podemos compartilhar nossas vitórias? Vai mesmo passar?
Obrigado pela tua voz, companheiro e amigo Renato. Obrigado pela s tuas histórias. Somos amigos porque não me abandonas, nem que queira, sempre posso te ouvir. E aquela calma acontece.

Só faltou um abraço.



sábado, novembro 17, 2007

A Salvação.

Um mero segundo.Pouco. Utopia ou necessidade?Necessidade de ser utópico?Todos com assuntos imensos. Importantes.Eu e esse sorriso alienante...Eles, atarefados.Eu.Distante.Ainda no mesmo instante.Baixo a cabeça.Penso. Descubro. Curiosidade perturba.Eu já sem dormir.Sem paciência, de jogar.Com as palavras.Medíocres frases.E no “fairy tale”, infeliz para sempre?Eu feliz sem espaço.Minha terra é tortura.Não me reconheces?Só tenho amigos.Olhando para o brinde (de cerveja?)Encontro nossa sombra. Lento, escorremos e contamos nossos dias.Noites são sempre à espera.Conversas, disfarces, Filosofia, prosa, Encantos, amigos, medos, alegrias,Sociologia, mesclados em poesia.Somos nós. Em meio a palavras cifradas,contamos o segredo: somos semelhantes.Fogem as lágrimas?Mais uma vez ilusão?“Todo mês volto à adolescência”, e eu...Onde estão minhas responsabilidades?Perdi as chaves há tanto tempo que me perdia no retorno.Ainda que doa, voltei.Irei embora mais cedo, não te perturbes.Não oferecerei riscos. Sairei sem perceberes, não me demoro, conheço o oculto.Afinal, meus olhos buscaram apenas a melodia.Ainda assim, não somos amigos, então:Obrigado. Tua luz soprou e eu caminhei. Guerreiro num conto de fadas... Sozinho. Menino encantado. Parabéns. Ainda existe magia.
(Agradeço-te amigo, o livro e o companheirismo poético) Menino Guerreiro.13 de novembro de 2007.Lua Nova. 00: 00:05h

quarta-feira, julho 04, 2007

Lua Cheia em um dia de Sol. Rua feia em um dia de pó...

Aquietai-vos
O menino acordou.
Mal. Caminhos tardios para as perguntas.
Mãos juntas, saudades.
Quando será que irão perceber que aquele tolo,
era um guerreiro desmascarado?
Inundado de emoções! Regurgitando dores?
Olhos abertos? Lábios vendados.
Meu esconderijo é sempre teu.
Vou ao parque. Tomo chá, sem merecer.
Parques combinam com solidão. Outras bebidas não.
Talvez a falta que eu sinta seja o essencial.
Lágrimas nos sonhos são torrentes, piscinas.
Escoam águas. Ecoam mágoas.
O pior é não estar longe. É não estar.
Não conto. Não pergunte. Metáforas são amigas de meninos.
Tristezas são caminhos de guerreiros.
Queria a máscara para que não pudesse ver.
Ilusão. Era invisível.
Qual o tempo que virá e verão um menino,
cantando, chorando, sonhos...
Me pedem para baixar as armas, perfuram-me com lanças,
danças e desprezo.
Amigos solitários encontram muros.
Bastava embalar. O futuro.
Tenho medo, não era mais que menino
gritando em busca de abraços.
Mas não há salvação.
Então. Explosão de urros, risos, mitos. Surras, repulsão.
Heróis de cinema, algemas para me domesticar?
Não. Carinhos de um menino. Sozinho.
Me acostumei à poltronas vazias. Palavras bonitas.
Bem-feitas.E ao lado, vozes desfeitas.
Desejos, paixões e um menino.
Bandeiras e causas. Causaram-me náuseas.
Asco e raiva, atiraram-me ao fogo.
Fogueira santa? Tribunal. Inquisição?
Santo ofício? De malefícios?
Quiseram me ver. Impossível aos olhos.
Gritaram: mostra a tua cara! Mostrei.
A alma.
Não é o espírito. Seu desejo é uma Ordem.
Eu, sem direitos. Meu dever, acordem!
Seriam todos maquiáveis? Guerreiro é absoluto.
Soberano. Enfim, eu luto. Em luto, por seus egos.
Não abano a cauda para bovinos cérebros.
Me escondo para me enxergarem. A dor é esta.
Pior não há. Há sim. A todas que escondi.
Sem começo. Vou guardar mais essa canção.
E dizer até mais. Cuide-se.
Amigos são para essas horas. E sorrisos não
dizem nada, tantos anos e eu aprendi,
dormir esmaga as expectativas.
Tentativas, são sempre em vão.
E beijo, não terão.
Aquieta-te, o menino calou-se.
Festeje, mais este meu adeus.
Ah, Deusa... Cuida do filho de Pã.
Letras, Drummond, livros, refrão, legião, Bandeira, Pessoas,
Notas, disparidade, exaustão, coragem, sinceridade, viagem,
Lispector, saudades, sempre saudades.
Clarice.