quinta-feira, abril 09, 2015

Teu diário

Meu amigo, vamos tomar nosso chá? Sei que não há mais espaços incólumes dos olhares maldosos, entretanto aqui, somos invisíveis. Os olhos que não nos olham estão voltados para outros lugares.

Hoje queria tanto que estivesse aqui comigo. Também não tenho amigos, e se fosse enterrado, seria sem alarde. Apenas um alívio.

Antes de morrer queria visitar teus passos. Conhecer teu quarto e ver da janela o que vias. Caminhar até teus bares e lá te ouvir. Como é tua voz? Sabia que da minha janela  vejo o Mercado Municipal? Fui visitá-lo para te sentir mais perto. Imagino que teria sido prazeroso.

Guardo a escrita para a noite, como aprendi contigo. Tenho calado. "Ainda não consegui não sofrer com a minha solidão". Como pode me dizer tão bem? Olhar pela janela me faz chorar de tuas saudades. És meu espelho e nada me rouba de tua presença.

Tuas páginas de Bernardo são meus diários. Como posso encontrar tão longe minha alma?

"Como nunca descobri em mim qualidades que atraísse alguém, nunca pude acreditar que alguém se sentisse atraído por mim.." Porque contigo? Nos tempos recentes me disseram da socialização. Como se fôssemos socializáveis. Não há social para os "aleijados de espírito".

Tenho a "coragem intelectual" de reconhecer que não passo de "um farrapo humano, aborto sobrevivente, louco ainda fora das fronteiras da internabilidade", Como sabe dos abortos?

Amigo-alma, como podes compreender a nossa verdade? Falava eu do binômio piedade e náuseas, quando te vejo romper-me nisto: "Nem posso conceber que me estimem por compaixão, porque, embora fisicamente desajeitado e inaceitável, não tenho aquele grau de amarfanhamento orgânico com que entre na órbita da compaixão alheia, nem mesmo aquela simpatia que a atrai quando ela não seja patentemente merecida; e para o que em mim merece piedade, não a pode haver, porque nunca há piedade para os aleijados do espírito. De modo que caí naquele centro de gravidade do desdém alheio, em que não me inclino para a simpatia de ninguém",

Como está teu chá? Há veneno ainda? Eu não tive perdão. E a toxina foi inoculada pelo ódio que me feriu. Meu corpo também é aleijado, e a falta da cera foi lembrada. Não conheço a piedade.

E como poderia ser? "Sofri a humilhação de me conhecer".

E sobre o capricho, que nos disseram ser excesso de amor, próprio dos outros, tua voz é cortante. "Compreendi que era impossível a alguém amar-me, a não ser que lhe faltasse de todo o senso estético - e então eu o desprezaria por isso; e que mesmo simpatizar comigo não podia passar de um capricho da indiferença alheia." Quem distante nutriu esse pouco apurado senso estético, talvez caminhe apenas para a compaixão. Não amor, este não nos pertence.

Amigo, durma comigo. Acorda-me em teus mares. Saio de mansinho, nunca ouviram e não seremos estardalhaços. Fique aqui, faz-me ser para sempre como és.

Descansaremos e finalmente nossos quartos dirão quem somos.





terça-feira, abril 07, 2015

Fernando Pessoa citando abjeção, e me descrevendo:

Diário lúcido
A minha vida, tragédia caída sob a pateada dos anjos e de que só o primeiro ato se representou.
Amigos, nenhum. Só uns conhecidos que julgam que simpatizam comigo e teriam talvez pena se um comboio me passasse por cima e o enterro fosse em dia de chuva.
O prêmio natural do meu afastamento da vida foi a incapacidade, que criei nos outros, de sentirem comigo. Em torno a mim há uma auréola de frieza, um halo de gelo que repele os outros. Ainda não consegui não sofrer com a minha solidão. Tão difícil é obter aquela distinção de espírito que permita ao isolamento ser um repouso sem angústia.
Nunca dei crédito à amizade que me mostraram, como o não teria dado ao amor, se mo houvessem mostrado, o que aliás, seria impossível. Embora nunca tivesse ilusões a respeito daqueles que se diziam meus amigos, consegui sempre sofrer desilusões com eles — tão complexo e sutil é o meu destino de sofrer.
Nunca duvidei que todos me traíssem; e pasmei sempre quando me traíram. Quando chegava o que eu esperava, era sempre inesperado para mim.
Como nunca descobri em mim qualidades que atraíssem alguém, nunca pude acreditar que alguém se sentisse atraído por mim. A opinião seria de uma modéstia estulta, se fatos sobre fatos — aqueles inesperados fatos que eu esperava — a não viessem confirmar sempre.
Nem posso conceber que me estimem por compaixão, porque, embora fisicamente desajeitado e inaceitável, não tenho aquele grau de amarfanhamento orgânico com que entre na órbita da compaixão alheia, nem mesmo aquela simpatia que a atrai quando ela não seja patentemente merecida; e para o que em mim merece piedade, não a pode haver, porque nunca há piedade para os aleijados do espírito. De modo que caí naquele centro de gravidade do desdém alheio, em que não me inclino para a simpatia de ninguém.
Toda a minha vida tem sido querer adaptar-me a isto sem lhe sentir demasiadamente a crueza e a abjeção.
É preciso certa coragem intelectual para um indivíduo reconhecer destemidamente que não passa de um farrapo humano, aborto sobrevivente, louco ainda fora das fronteiras da internabilidade; mas é preciso ainda mais coragem de espírito para, reconhecido isso, criar uma adaptação perfeita ao seu destino, aceitar sem revolta, sem resignação, sem gesto algum, ou esboço de gesto, a maldição orgânica que a Natureza lhe impôs. Querer que não sofra com isso, é querer demais, porque não cabe no humano o aceitar o mal, vendo-o bem, e chamar-lhe bem; e, aceitando-o como mal, não é possível não sofrer com ele.
Conceber-me de fora foi a minha desgraça — a desgraça para a minha felicidade. Vi-me como os outros me veem, e passei a desprezar-me não tanto porque reconhecesse em mim uma tal ordem de qualidades que eu por elas merecesse desprezo, mas porque passei a ver-me como os outros me veem e a sentir um desprezo qualquer que eles por mim sentem. Sofri a humilhação de me conhecer. Como este calvário não tem nobreza, nem ressurreição dias depois, eu não pude senão sofrer com o ignóbil disto.
Compreendi que era impossível a alguém amar-me, a não ser que lhe faltasse de todo o senso estético — e então eu o desprezaria por isso; e que mesmo simpatizar comigo não podia passar de um capricho da indiferença alheia.
Ver claro em nós e em como os outros nos veem! Ver esta verdade frente a frente! E no fim o grito de Cristo no Calvário, quando viu, frente a frente, a sua verdade: Senhor, senhor, por que me abandonaste?

sábado, abril 04, 2015

Para o eclipse.

Ontem eu voltei às telas. Tempos e foi com Hilary Swank. Não chega a ser como foi antes, contudo não falarei dos outros.

Falo do que senti ao ver. Ver me faz sentir. Andar me faz sentir. Sempre disse de vínculos e fazer parte. Não faço ouvir. 

Eu vi. Descobri que estava certo o tempo todo. Nunca foi o corpo, sempre é a alma. Vínculos não precisam de nomes. Amor, amizade, companheirismo, cumplicidade. Nada eleva ou descreve. Ser perfeito é ser parte. É entregar e mergulhar. É fazer do outro o eu, e o "eu é outro". 

Lembrei desses dias, noutra lua, noutro eclipse, do que Renato me dizia: "uma menina me ensinou quase tudo o que eu sei". E aqui, é mais fácil não esquecer. Passar de bike, mesmo que em instantes, o aroma adocicado dos chás, lembram as eternas conversas.E eu entendo que o que busco é bem menos do que me pedem. Queria apenas as horas de convívio, e conhecer outro mundo pra mostrar o meu. 

Não sou feito de vingança. Aquele que se volta à punição perde sempre. Nada pune melhor que a indiferença. E sou apenas igual. Há poucos. Como disseram: procuro ver e procuro quem me veja. 

Assim, convenço-me sem nenhuma dificuldade que aquilo que se critica no outro, o eu repete todos os dias. E não é assim nas cenas mais comuns do hoje? Se o ontem era repelido e dito como o grande monstro, com direito a apedrejamento, porque hoje é igual? Talvez a resposta seja que sejamos iguais, e assim, não há porque condenar. Portanto a punição é desnecessária. 

O tempo foi e sempre o guardião. Suas chaves tem me acompanhado. Quando fiz o teste e foi 31, menos que 60, violentamente eu já sabia. Adestramento trouxe espada, escudo e estratégia. Estarei lá sem medo.

Não foi porque amo demais o eu. Amo demais o outro. O outro que eu conheço e me conhece. A singularidade será sempre o ideal. 

Deixo fluir e canto com a maturidade que é nossa: Feliz encontro, feliz reencontro e feliz seja nosso novo encontro! Na paz e no Amor dos Deuses! Evoé.




terça-feira, março 31, 2015

Nesta lua crescente

De frente prum hotel enxergo a doce tristeza da solidão. Sem meus olhinhos azuis me contando em afagos que sou mais. 
Enfim nasceu da necessidade de responsabilidade ser irresponsável!
Chegando no últimos 19 anos estou só. Destruído. Queria ouvir vozes, acordar e saber que tudo passou. Ainda assim, não posso desistir. E lá estarei novamente, espada, escudo e a força de todos os que vieram antes. 
Aguardo ainda o reencontro com os amigos verdadeiros. 
Talvez eu fique muitos dias sem falar. Não há voz sem ouvir-se. 
Haveria ainda esperança se lesse emails ou uma pequena mensagem. 
Não haverá. Nunca haveria. Quem sempre lê e não responde?
Porque? 
Onde estaria minha paz?
Que o sono seja o companheiro inseparável. Se pudesse escolher, meu casamento inviolável seria com ele. E dormiríamos para todo o sempre!
Não me deixe, não me esqueça. Este é um pedido, ainda que improvável, não sou bom em probabilidades. Longe alguém ouve?

"As coisas que amamos nos destroem todas as vezes, rapaz. Lembre-se disso." George R.R. Martin. 

terça-feira, março 17, 2015

A tragédia pessoal

Eu não sei nem mais o que dizer. Sei tão pouco. O que sei é que agora eu preciso dos meus amigos Fernando e Renato. Preciso ouví-los de perto. Hoje longe é um lugar que existe.

Ser supérfluo é terrível. Minha história é disso. Rompe-me o silêncio e a porta da rua estará lá. E agora não tenho alternativas. É tudo tão fácil na terra das facilidades...

Como será ser desta casta? "Oh, você me abusou!" E o que é abuso?

Do que se trata a amizade? De que se trata a maldade? Donde estava a lealdade e cumplicidade? De um resto que restou?

Meus olhos não fecham. Minha alma não abre. Meu peito estoura. Onde está o ácido?

Queira por favor apagar as luzes. O show (de horrores) acabou.

E como Ela, somente eu saberei o porquê. Mas não haverá uma infância a ser perdida em acusações.

Minha história não tem personagens.

Me esperem amigos.

quarta-feira, março 11, 2015

Porque Bernardo Soares sabe o que é ser Pessoa

"Sinto o tempo com uma dor enorme. É sempre com uma comoção exagerada que abandono qualquer coisa. O pobre quarto alugado onde passei uns meses, a mesa do hotel de província onde passei seis dias, a própria triste sala de espera da estação de caminho de ferro onde gastei duas horas à espera do comboio — sim, mas as coisas boas da vida, quando as abandono e penso, com toda a sensibilidade dos meus nervos, que nunca mais as verei e as terei, pelo menos naquele preciso e exato momento, doem-me metafisicamente. Abre-se-me um abismo na alma e um sopro frio da hora de Deus roça-me pela face lívida.
O tempo! O passado! Aí algo, uma voz, um canto, um perfume ocasional levanta em minha alma o pano de boca das minhas recordações… Aquilo que fui e nunca mais serei! Aquilo que tive e não tornarei a ter! Os mortos! Os mortos que me amaram na minha infância. Quando os evoco, toda a alma me esfria e eu sinto-me desterrado de corações, sozinho na noite de mim próprio, chorando como um mendigo o silêncio fechado de todas as portas."

quarta-feira, março 04, 2015

Meu sorriso continua de óculos escuros

Cansaço.

Muito. Tantas notícias. E aquela tradicional pose final não houve. 
Minha tranquilidade refletindo minha coragem. Pois que é minha sorte.
Volto para as origens para poder licenciar. Falta tão pouco.
Acabou mesmo?
Em meio há tanto desencontro, o melhor momento do dia é a viagem. Suor, esforço, canções, sorrisos e duas rodas. Acelero não em busca da pressa, quero a vida. Mais leve. E quando será?
Aqui sou o intruso. Isto. Minha presença indesejável é foco de problemas. 
Quero tanto sair. De tudo. 
Lembro dos agradecimentos. E a masculinidade sendo reverenciada, dado que ao ser vivida, me pertence trazendo outros ares. 
Conversas, risadas, cerveja, leveza. Amizades. Como são diferentes. Agora são minha escolha.
Quero sair. Preciso.
Quero ouvir o dia e a noite sem perturbar e ser perturbado. 
Quero ser amigo, não apenas para ouvir. Quero voz. 
É tão pouco as promessas. Não me interessam. Quero mais.
Pra melhorar, soube daquela socióloga nada tropical. Como me encanta ver sabedoria em palavras. Genial sua interpretação. Alguns segundos e me estimula conhecer seus tons. 
Me cansa essa reprodução do mais do mesmo, dos jargões, das disputas egóicas e perversas e me incomoda sua maldade. E o senso comum refinado ganhando ares de ciência. Paciência zero.
Enfim, faz dias, mas hoje em especial, queria apenas um abraço. Queria conversar longamente. Queria saber, como descobri que Eva Illouz também concorda comigo, que não há nada que seja mais perseguido que a maravilhosa certeza (ainda que passageira) de que somos singulares.

Se eu pudesse, eu pediria. Um abraço e uma conversa. 
Mas e alguém ouve? Pior, e alguém quer me ouvir?


domingo, janeiro 18, 2015

Um bastardo guerreiro

Entre leituras e sonhos, encontro meu nome. São os doces sons das batalhas da outra Terra que me elevam. 
Após os 180 minutos, ou melhor 360, não deixei a sala. Quase solitário - como tinha que ser - permaneci insólito, imóvel, absorvendo a canção-transporte. 
Sou deste mundo. Daquele. As runas em minha pele são a promessa da eternidade. 
Tudo aqui me entendia. Incomoda. Sorrisos e alegrias profanas. A unidade social mais que me irrita, desprezo-a.
Não vejo a hora de dizer o último adeus. Embora não sejam meus amigos.
Sempre suspeitei de quem diz irmãos à amigos. Família me aborrece. 
Sou bastardo. 
Sou solitário. 
Sou do frio. 
Não faço e nunca farei parte da horda festeira que nada sabe de heróis e suas lutas. 
E quem nos leva? A quem cantamos às vitórias? 
Onde há de haver o campo em que nossas espadas encontrem serventia?
Certamente longe desta terra improvável, de patriotismo idiota, laços violáveis como os bolsos de seu povo. Suas festas abobadas, movidas a cristianismo e as pífias músicas de feriados. Terra de tolos!
Odeio privilégios e privilegiados. Crianças e toda a sua suposta beleza. Velhos e toda a sua sabedoria ignóbil. 
Sou do mundo dos homens. E cada dia preciso mais desta virtude masculina. Da força viril, da lealdade camarada e das risadas do mundo entediado. A morte não nos espera. Ela é nosso caminho. Que seja longo! Brindemos!
Gosto da masculinidade honrosa. Não tenho paciência para a moda dos dias de hoje, em que todos são tudo, e com isso, na verdade nada são. Basta conhecer filosofia. 
Sou maior. Sou filho da espada. Nada sei das famílias sanguíneas. Os clãs são patéticos aos olhos dos soldados. Feitos para serem pilhados.
Se muitos tem nomes, eu tenho O sobrenome. 
Sou GUERREIRO. 
Ainda assim, bastardo. 

Obrigado amigos. 





sexta-feira, novembro 07, 2014

Dedos dados

Esta é uma postagem cópia. Cópia de uma conversa com uma pessoa muito querida. Resgatei porque esses dias, lembrei ouvindo noutra conversa, o quanto as mãos conversam, como diz o poeta. Então, nem o tempo que me toma todo o tempo, consegue me tirar do dever de recordar este episódio. Serei responsável e omitirei alguns detalhes. O que importa é que "O amor bate na aorta", como disse o mineiro mais doce que já houve. 

Resolvi fazer algo que já deveria ter feito há tempos e não tive coragem. Talvez como meta de tentar melhorar. Sei que você está namorando com outra pessoa, mas o episódio que quero comentar é mais antigo, quando você namorava a Pessoa, uma moça queridíssima, colega de trabalho. Eu sempre conversava muito com ela, era uma pessoa muito especial daquele lugar, porém ela nunca havia me dito que vocês namoravam, embora eu sempre comentasse dos meus interesses acadêmicos e militantes em prol da luta anti-homofobia. O fato é que vocês estavam na frente do prédio, ali perto do corrimão da escada, e eu estava saindo de lá, provavelmente finalizando meu dia de trabalho. Quando saí, nossos olhares se cruzaram por um brevíssimo momento, e eu percebi que vocês estavam de mãos dadas - timidamente - melhor seria dizer de "dedinhos dados". Nesse instante, presenciei uma das cenas mais tristes da minha vida, vi a Pessoa, desconcertada e assustada, apressadamente soltar seus dedos. Para outros observadores, isso não seria nada de mais, acho mesmo que só um olhar treinado, de um semelhante quando vê um igual como você mesma diz, poderia enxergar este ato de um milésimo de segundo. Contudo, bastou para eu chorar a caminho de casa. 

O que quero te dizer é que fiquei chateado não com a desconfiança da Pessoa, isto é perfeitamente compreensível, mas com a necessidade da desconfiança, com o receito de ser descoberta. Este temor é tão terrível porque tornou concreta a insegurança de uma moça que merece ser plenamente feliz e não estava fazendo nada reprovável, estava fazendo sim, algo louvável, apenas e lindamente segurando a mão, os dedos da pessoa amada. 

Queria te agradecer pela sua força, pela sua docilidade e pelo seu esforço em viver o Amor. Queria muito um dia ter mais intimidade pra falar isso para a Pessoa e dizer que serei sempre um combatente do lado de quem ama, de quem deseja apenas ser o que é. Como você era a outra pessoa deste episódio, resolvi aproveitar e te dizer isso. 

Contem comigo sempre!


terça-feira, outubro 21, 2014

May

Há dias que não é possível falar. Há dias que é impossível não falar.

Assisto há tempos histórias. Vidas me tocam. A ilusão é encontrar algo mais importante que viver.

Ouvindo canções dadivosas, quero presentear a amiga de todos os tempos.

A verdade é que queria muito contar ao mundo a história de vocês. A história de Maio, Somos 11, 13 e 14. Honro-me em fazer parte, ínfima parte, deste romance.

Tanto já aconteceu. E a década trouxe-os de novo. Então Cronos era verdade?

Apenas salvem esta maravilha. Poucos sabem ou vivem. Amor desses em que a Lua é palco, em que anos são horas, em que o sonho é sempre a Verdade deveriam ser obrigatórios. Escolas deveriam nos treinar para tais êxtases. Imaginem que alegria ir a uma aula, sentados ao redor da fogueira, ao som das homenagens para aprender a amar!!!

Que este mundo ainda tenha a chance de assistir a esta mágica lembrança.

Durmo mais feliz por saber que há no mundo a esperança. Se não acreditarem mais,  apenas recordem.

Suas presenças tornam a Vida mais habitável.




sexta-feira, maio 23, 2014

TYRion Lannister

É completamente impossível não falar deste personagem. É inconfundível a força que emana de Tyrion. Ao começar a escrever percebo que seu nome traz TYR, o jovem deus guerreiro nórdico. E outra coincidência. 
Por um daqueles acasos do destino, eu, fanático por Games of Thrones, deixei semana passada de assistir o episódio imediatamente após ter sido disponibilizada a cópia legendada. Assisti mais tarde. Após meu dia. E nem foi porque estava ocupado com os deveres da "bolsa" (aquela que poderia ter que devolver se desistisse), muito pelo contrário, estava "de boa". Coisas que nunca saberemos a resposta. Mais uma. 

Quando vi a cena estonteante não sabia o que pensar, o que sentir. Um turbilhão passava pela minha cabeça. Primeiro, a certeza de que mais pessoas deveriam assistir. Contudo, assistir não significa compreender. Em tempos de tanta punheta acadêmica com sua famosa verborragia e seu blá blá blá super hiper mega power, lembrar do tio Goffman ninguém lembra... Cadê o ESTIGMA galera? Ah, sumiu, porque agora é maravilhoso ser "queer"... Saco! E aí vem todo o vocabulário que pra nada serve, nada muda (só o lattes de alguns)...

Assim, ver Tyrion explodindo e esfregando na cara de seus algozes: "Eu não matei o rei Joffrey, mas eu gostaria de tê-lo feito. Eu gostaria de ter sido o monstro que vcs pensam que eu sou. [...] Eu não darei minha vida para o assassino de Joffrey. E eu sei que aqui não haverá justiça. Então eu vou deixar os Deuses decidirem o meu destino. Exijo um duelo para meu julgamento" é glorificante. No melhor estilo "Vamos cuspir de volta o lixo em cima de vocês". Aquele anão, cheio de marra, com um senso ético inigualável, com aquela inteligência destinada a pouquíssimos me lembrou tanta coisa... A identificação era quase imediata. Ele preferia a morte a aceitar pacatamente os abusos de outros. Como não ficar tocado? Como não compreender sua excelência? Como não reverenciá-lo?

Quanta emoção ao assistir sua valentia, tão incomum nos dias de hoje, nessa espécie precária que se auto-intitula "Homo sapiens", ao não negar, em nenhum momento, mesmo após a pérfida traição de sua "whore". Ele havia se iludido, acreditou que poderia ser amado. Mas a espécie que ele buscava Amor desconhece esse sentimento. Freya há tempos abandonou este povo, e um verdadeiro guerreiro de outros tempos não encontraria Amor nos braços dos humanxs. Para elxs, amar é coisa tola, fútil, descartável. Tyrion é um Leão. Várias "whores" diriam sem medo, sem ética que o amam... O que desejam nada mais é que o velho metal aurum... Contudo, como guerreiro ele não negou seus sentimentos, mesmo sabendo que tinha sido traído. E seu olhar ao ver a traição brutalmente me carregou para o território da dor.

Ainda assim, ele tem mais cartas na manga. Ao pedir auxílio ao seu amigo defensor de outrora, aceita sem insistência que ele não o defenda no combate. Aceita seu destino: "lutarei eu no duelo, e farão canções sobre esse dia". Novamente, foi impossível não perceber o espelho. Príncipe Oberyn, outro ser vindo de outras terras, aceitou lutar em seu nome. O nome era vingança. Sem saber, também era justiça. Ele nunca viu um mostro em Tyrion. Um pequenino apenas, monstro nunca. 

Então pensei, quando o saco da bolsa compulsória encerrar, o primeiro livro que lerei será "As Crônicas de Gelo e Fogo". Meu coração, apesar da turmalina negra, merece. 
E digo a você Tyrion, onde quer que esteja, em qual máscara monstruosa viver, saiba: se Oberyn desistisse haverá sempre um Guerreiro do Sul para lutar em seu nome!

                                     
                                                                 

                                                                                     Viva TYRion! 


quarta-feira, maio 14, 2014

Andros

Eu sou.

Eu sou muitos.
Sou tantos que muitos ainda não sabem.
Sou apenas aquele que é.
Sou treze.
Sou Touro. Guardião. E lobo.
Sou filho intenso da Imensidão.
Sou este. Não sou tão pouco, e sou para mim o que de todos não posso, contudo, nasci de mim.
Eu.
Apenas o garoto de guerra, que ama a História média, e dela sobrevive, ou até a fera que desmente sua força em flores tão surdas.
Sou o gosto perdido dos que lutam até a escuridão, e ensino a Arte das batalhas, não sem desejo, sonhos, vontades, Espírito. Não tenho medo do Medo.
Luto. Venço. Se sou a coragem, todos os lugares são meus. Eu quero, eu vou.
Andros. André.
Sou a alegria da Vida vivida em dias e noites. Não me canso. Conto pro Céu de Lua, Lucas. Vida és minha, sou teu! Mistério abençoado!
Sou quem Ama e meu Amor se faz completo. Tenho a plenitude do dentro. Juro a Honra dos Amores.
E quem me segue? Tenho a fé de levar aos dias que se seguem, o ensinamento dourado: o Amor é a Lei.
Sou pouco, que todos desconhecem. E sou muito, que poucos conhecem. Tenho o caminho de labirinto. Tenho as chaves. Entretanto, apenas é minha a Espada e meu escudo.
Quem tomou-me por Eu?
Sou, então, para sempre, o Grande GUERREIRO MENINO.



sexta-feira, maio 09, 2014

Anonimato

Estava pensando no anonimato. Lembrei de quem nunca esqueço. Aquele que no nome é simplesmente Pessoa. E ora, eu que deveria estar no sono ou cumprindo meus deveres, resolvi ler. Sempre acalma.

Porque é preciso ser visível? Quem é? Somos tantos, como ele mostrou. O que importa um nome?

Deve ser meu inferno astral. Preciso de férias. Preciso desassossegar. Ele nos ensinou a ser heterônimos. 

Aqui está:

262: 

Cheguei hoje, de repente, a uma sensação absurda e justa. Reparei, num relâmpago íntimo, que não sou ninguém. Ninguém, absolutamente ninguém.
     Quando brilhou o relâmpago, aquilo onde supus uma cidade era um plaino deserto; e a luz sinistra que me mostrou a mim não revelou céu acima dele. Roubaram-me o poder ser antes que o mundo fosse. Se tive que reencarnar, reencarnei sem mim, sem ter eu reencarnado.
     Sou os arredores de uma vila que não há, o comentário prolixo a um livro que se não escreveu. Não sou ninguém, ninguém. Não sei sentir, não sei pensar, não sei querer. Sou uma figura de romance por escrever, passando aérea, e desfeita sem ter sido, entre os sonhos de quem me não soube completar (1).
     Penso sempre, sinto sempre; mas o meu pensamento não contém raciocínios, a minha emoção não contém emoções. Estou caindo, depois do alçapão lá em cima, por todo o espaço infinito, numa queda sem direcção, infinitupla e vazia. Minha alma é um maelstrom negro, vasta vertigem à roda de vácuo, movimento de um oceano infinito em torno de um buraco em nada, e nas águas que são mais giro que águas bóiam todas as imagens do que vi e ouvi no mundo - vão casas, caras, livros, caixotes, rastros de música e sílabas de vozes, num rodopio sinistro e sem fundo.
     E eu, verdadeiramente eu, sou o centro que não há nisto senão por uma geometria do abismo; sou o nada em torno do qual este movimento gira, só para que gire, sem que esse centro exista senão porque todo o círculo o tem. Eu, verdadeiramente eu, sou o poço sem muros, mas com a viscosidade dos muros, o centro de tudo com o nada à roda.
     E é, em mim, como se o inferno ele-mesmo risse, sem ao menos a humanidade de diabos a rirem, a loucura grasnada do universo morto, o cadáver rodante do espaço físico, o fim de todos os mundos flutuando negro ao vento, disforme, anacrónico, sem Deus que o houvesse criado, sem ele mesmo que está rodando nas trevas das trevas, impossível, único, tudo.
     Poder saber pensar! Poder saber sentir!
     Minha mãe morreu muito cedo, e eu não a cheguei a conhecer...

domingo, abril 13, 2014

A beleza do normal

Há dias que precisam ser contados. Dias comuns, dias sem novidade alguma. Dias normais. E quem diria, eu - anormalmente - iria falar de normalidade. Quem acredita? Quem me conhece, oras! 

Naquele calor entediante, sol me liquefazendo, eu "escorro" pro mercado. Quase como atividade masoquista, escolho fazer compras no auge do meio-dia. Explico: teve jogo de volei na TV. Outra descoberta: prefiro esportes à reuniões acadêmicas-filosóficas-revolucionárias-salvadoras da mundo... Ah, quanto orgulho de mim!

O preço assusta. Os produtos não atraem. A cesta vai crescendo. Esbarro numa promoção. Taurino por natureza, desconfio. Mas eram só pequeninas bebidas lácteas de café gelado. Uma gostosura! Quem levasse dois, ganha um. Explico "again": comprando dois produtos, concorria ao sorteio de uma mochila. Bonita, não fosse as cores da copa. Felizmente o azul prevalece. Mochila de trilha. Deu aquela saudade apertada do Anhagava e do Itupava. Pensei: Ora, no meu atual estado de amante esportista (as corridas nem incomodam tanto o coração, não se pode dizer o mesmo dos joelhos, mas isso é uma outra história) aquele saco de viagem me cairia muito bem. 

Imediatamente pus as duas bebidas na cesta. Mais uma olhadela nos produtos em promoção e a decisão segura de que é melhor evitar gastos desnecessários. Poupar é um verbo que exerce atração sobre mim.Fui à caixa e a alegria primeira: não tinha fila! Um bom-dia sulista foi meu cumprimento. Crédito ou débito? Aquele cartão azul só permite débito, e o que isso tem demais? Tem eu! Eu. Só eu. Paguei, peguei meus mais novos pertences, ou na linguagem marxista, minhas mercadorias e perguntei onde pegava meu cupom. Na recepção. Fui até lá. 

O suor jorrando de mim tal qual fosse eu um geiser humano não me impediram de completar a árdua tarefa: buscar meu cupom. Avistei a moça da recepção e perguntei da promoção. Trabalhadora de fim de semana me respondeu sem muita amistosidade: qual concurso? Informei a marca. Ela pede a nota fiscal (depois de uma leve má-vontade encontra meus produtos adquiridos) e me dá o cupom. Antes, contudo, vem a inquisição: a identidade moço! E num simples passe de mágica, da minha cartola-carteira não tirei o coelhinho (defendo animais e condeno estas práticas). A magia era: a mochila era bônus. A vitória já é minha. 

Preenchi o cupom. Coloquei-o, um tanto encharcado, na urna. Juntei minhas compras e fui me liquefazer mais um pouquinho. Como outro dia qualquer, um dia feliz. 
Um dia normal.







quinta-feira, fevereiro 20, 2014

GUERREIRO DO SUL

Acordei! Viva! Vitória!

E há quem diga rer a sorte como companheira, perdas não me seguem! Sou filho bravo! Lugh!

Não quero sorte, sou coragem e FORÇA!

Sou forte eternamente!

E agora quem dirá que não sou legal?

Sou GUERREIRO.

Calem-se! Eu vivo!

Na terra do vampiro e das polaquinhas, eu sou vitória!

Não aceitaria menor, não deixaria o Alemão para trás. Minha terra é essa! Somos quietos, não nos dobram!

A cada volta no Barigui, o ar envolve meus pulmões que expulsam a palavra aguardada: Viva!

Nasci com espada em punhos, é meu direito a guerra. Guerreiro sou para sempre.

De joelhos agora aqueles que me desejam desistente, infeliz perdedor!

Com a alma animal eu acordei maior. Muito! Logo novo emblema marcará a carne.

A história continua. Vida. Vencida.

Tinha que ser aqui. Minha cidade, meu lar, minha história, meu ORGULHO!

Não apenas meu país é o sul, Curitiba é meu planeta! Meu lar.

Descanso para novas conquistas no lar paranaense.

GUERREIRO.




terça-feira, fevereiro 04, 2014

Quando as coisas tem que acontecer... Obrigado amigo.

Impossível não pensar que esta musica foi feita para meu amigo Menino Guerreiro

Viva Como Guerreiro
Sinta como o mundo não te ama
Eles só querem te empurrar pra longe
Alguns dias eles não te enxergam
Você sente como estivesse no caminho
Hoje você sente como se todo o odeia
Apontando os dedos, procurando seus enganos
Você faz o bom, eles querem melhor
Não importa o que você dá, eles querem mais
Dê seu amor e eles o jogam de volta
Você doa seu coração, eles continuam a atacar
Quando nada mais restar pra você,
A única coisa que você pode fazer é dizer

Hoje, só hoje, viva como você quer
Deixe o ontem queimar e o jogue no fogo, no fogo, no fogo
Lute como um guerreiro,

Hoje, só hoje, viva como você quer
Deixe o ontem queimar e o jogue no fogo, no fogo, no fogo
Lute como um guerreiro.

Algumas coisas você deve deixar passar, só vão te colocar pra baixo
Assim como peso em seu ombro, eles apenas vão te afogar

Todos nós oscilamos pra cima e oscilamos pra baixo
Todos nós temos segredos que as pessoas não sabem
Todos nós temos sonhos, não podemos desistir
Queremos ser corajosos, não tenha medo.

Ohhhhh

Hoje, só hoje, viva como você quer
Deixe o ontem queimar e o jogue no fogo, no fogo, no fogo
Lute como um guerreiro.

Hoje, só hoje, viva como você quer
Deixe o ontem queimar e o jogue no fogo, no fogo, no fogo
Viva como um guerreiro.

Seu coração está pesado pelas coisas que você carrega a tanto tempo
Você oscila bem e mal, cansado sem saber porque
Mas você nunca vai voltar atrás, você somente vive uma vez
Deixe passar, deixe, deixe passar, deixe, deixe, deixe passar.

Hoje, só hoje, viva como você quer
Deixe o ontem queimar e o jogue no fogo, no fogo, no fogo
Lute como um guerreiro.

Hoje, só hoje, viva como você quer
Deixe o ontem queimar e o jogue no fogo, no fogo, no fogo
Viva como um guerreiro.

Hoje, só hoje, viva como você quer
Deixe o ontem queimar e o jogue no fogo, no fogo, no fogo
Lute como um guerreiro.

Hoje, só hoje, viva como você quer
Deixe o ontem queimar e o jogue no fogo, no fogo, no fogo
Viva como um guerreiro.



 31 de dezembro de 2013 às 21:05

terça-feira, janeiro 21, 2014

Sem cinema

Há dez anos... 10 anos era tudo tão pesado. Em poucos dias tudo ia mudar. Iria comprar ervas e começar a sonhar.
Agora tenho saudades. Logo minha cidade ficará pra trás. Dor em explosão.
Hoje falei com uma menina e voltei a fugir do sol. Ela soube que eu sumi. E como não seria?
Um filme, um sonho, um suspiro.
Corro. Dor. Medo.
Ao ver confissões, encontro despedidas. Amiga de anos, com seus filhos. Última vez. Ficará sempre o carinho.
Enquanto isso, nada me sobrou. Em outros mundos as festas viajam.
Falta o menino luz. Então irei. Quase dois meses.
Buddy estará na espera?
Solidão me assusta, amigo.
Vou indo.
Quem sabe Anhagava?
E quando será?





quarta-feira, janeiro 15, 2014

Para mim

Para o fim.

Porto

Aguardo o porto. Estou cansado. Muito.
Quando ouvi o convite, sabia que era verdade. Seria. Será. Quem conhece o passado já tem a próxima história.
Uma mão. Não dupla.
Agora terei que esperar dias e noites até lá. Já sem aquela criança.
Eu não sou daqui. Minha mão dizia. Estou onde?
E houve quem disse ser o importante o que nunca foi. Ninguém ouviu.
Não, não é carreira. É encontro. A família planetária.
Minha entrevista contou-me das instituições que falharam. Sozinho estava.
Não importa. Estou chegando.
Este não é meu lugar.
Há outras praias. Há outros vínculos.
E aquela pressa? Risos falsos.
Vou dormir logo.
Tenha a promessa de um porto.
Até lá, não estou aqui. Nem ali.
Vejo lá.